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Reflexões para os jovens.

O primeiro grande desafio - 2009

Talvez a maior prova de fogo que o jovem tenha na sua vida profissional consiste em assumir pela primeira vez, a função de liderança. Pior ainda, na grande maioria dos casos, não foi devidamente preparado. A maior parte dos técnicos que ascende a uma posição de coordenação recebe esta possibilidade de crescimento como um prêmio por sua atuação profissional e não por sua capacidade humana de liderar. A conquista dessa nova função, aliada à inevitável inveja dos preteridos e à necessidade de comandar mais velhos, acarretará em uma série de desafios na vida deste jovem em formação. Por isto, é importante levar em consideração em sua nova atuação alguns pontos de fundamental importância.
Antes e acima de tudo, eu entendo que um time aumentará substancialmente seu grau de colaboração individual e comprometimento grupal se enxergar no seu líder alguém mais nobre, em grau superior de comportamento, principalmente no seu lado humanístico. Tal postura ficará clara se este líder considerar o sucesso do seu grupo como seu verdadeiro indicador de desempenho. Um líder que, em verdade, tenha como missão servir a seus liderados.
Uma segunda estratégia fundamental consiste na demonstração clara e taxativa de uma absoluta coerência entre discurso e ação. Qualquer líder que aplicar na prática o desgastado "faça o que eu falo, não faça o que eu faço" terá certamente seu caminho de liderança destruído de maneira muito mais rápida do que se imagina. Valdo Emerson, o brilhante pensador, propõe uma profunda reflexão: "o que você é ecoa com tanta força em meus ouvidos, que eu não consigo escutar o que você diz". Em outras palavras, o que você é na sua essência será o manto perceptível da disseminação de suas idéias, que vai lhe vestir e divulgar sua verdadeira identidade. Por isso, o jogo da verdade, a carta fora das mangas, a transparência, a honestidade de princípios serão atributos muito mais fortes do que você imagina na construção e consolidação do seu papel de líder.
Em terceiro lugar, seja humano, no limite do possível. Tenha com seus liderados uma relação entre seres humanos, abandonando o contrato burocrático-jurídico entre recursos humanos. Saia da comunicação dos memorandos e adote os olhos nos olhos. Engrandeça a reunião de trabalho com um papo (mesmo que rápido) sobre família e filhos. Enfim, demonstre de maneira filosófica e conceitual, mas amparado na prática do dia a dia, que mais do que tudo, líder e liderados são seres humanos, cada um no seu papel, que estão engajados em um projeto comum. Objetivos financeiros, sim. Mas relações humanas são fundamentais. Aliás, são a base de tudo.
Finalmente, seja um elemento catalisador do grupo para a criação de uma visão, de um sonho. Nesta direção, construa de maneira compartilhada um pacto de desafios e negocie as estratégias para se chegar lá. Depois de conhecer a missão de um time e definir o papel de cada um, será possível obter um QI grupal muito maior do que a soma dos QI`s individuais. Ele formará a inteligência competitiva agregada, meta maior de qualquer líder para o seu grupo. Para isto um último desafio: seja o grande mestre de seus liderados, mesmo com o conhecimento trazido de fontes externas. Tenha até humildade para buscar estas informações. Somente um grupo voltado para fora, antenado, oxigenado, monitorado, poderá ajustar-se sempre a estes tempos de mudança. Um último detalhe: você realmente será um grande líder quando sua presença não for nem percebida. A força de suas idéias será tão sólida, que isto será o suficiente.
Para os amigos, mas também para os não tão jovens.
 

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